A Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres do município de Santa Rosa do Purus, convocada pelo prefeito José Brasil, foi realizada no último sábado, 20, no Centro Cultural de Santa Rosa. Estiveram presentes o vice-prefeito Hilário Kaxinauá, a primeira-dama Odeíza Gomes Coelho, a secretária municipal de Saúde, Irmã Percília de Oliveira, o presidente dos Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Francisco Cardoso, a pastora Zenaide Bento e as representantes da SEPMulheres Joelda Pais e Maria das Dores Miranda.

Trabalhadoras rurais, donas de casa, domésticas, professoras, gestoras, todas unidas com um só propósito: melhorar a situação das mulheres. Mas um dos destaques da Conferência foi a participação das mulheres indígenas das quatro etnias que existem em Santa Rosa: Kaxinauás, Jaminawas, Kulinas e Ahanenawa. "Isso mostra o quanto as mulheres estão interessadas e preocupadas com a sua situação e querem mostrar suas necessidades. É muito importante essa particiapação", disse Jorlada Pais, da SEPMulheres.
"A particiapação de todas essas mulheres tem um valor muito grande. Vivemos em um município distante, onde o acesso não é tão fácil e muitas delas vivem em aldeias, em seringais ainda como antigamente. Elas não têm noção de seus direitos. Aliás elas nem sabem que têm direitos. Conferências que as façam discutir, falar de suas necessidades abrem a mente delas. Espero que esse seja o primeiro passo para uma mudança significativa para cada uma dessas mulheres", declarou o prefeito José Brasil.
Na ocasião, representantes das secretarias municipais de Saúde e Assistência Social apresentaram à comunidade como funciona o fluxo do atendimento às mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência, pactuado na Oficina do Pacto Estadual de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, que a SEPMulheres e SEDS realizaram no município, nos dias 18 e 19 de agosto.
Um dos grandes problemas apontados pelas mulheres indígenas foi a questão do alcoolismo entre a população masculina indígena, o que gera vários tipos de violência contra as mulheres. "É necessário que o poder público trabalhe nas Aldeias e entre os indígenas da zona urbana ações para enfrentar o alcoolismo" enfatizou Joelda.
Outra situação apontada pelas indígenas é o desrespeito às crianças e adolescentes indígenas no campo sexual. Segundo elas, as meninas são iniciadas sexualmente a partir dos nove anos em algumas etnias, e muitas começam a engravidar, a partir dos 12 anos. Como alternativa, elas apontaram a realização de ações nas aldeias que discutam com a comunidade os direitos de crianças, adolescentes e mulheres.
Na zona urbana, foi sugerido ao Centro de Referência da Assistência Social – CRAS que realize palestras sobre a Lei Maria da Penha para as mulheres do município, incluindo as indígenas. "É de fundamental importância que todas elas tenham conhecimento do que é a Lei Maria da Penha. Assim elas podem se empoderar mais. A informação é uma das principais ferramentas para evitar a violência contra a mulher", disse Maria das Dores, da SEPMulheres.
Durante todo o dia foram debatidas propostas e ações para que políticas públicas para as mulheres chegassem até Santa Rosa do Purus. No fim do encontro foram eleitas duas delegadas para participar da Conferência Estadual, em setembro, em Rio Branco: uma representante das mulheres indígenas da etnia Kaxinawa e a coordenadora do Centro de Referência da Assistência Social.
"A cada conferência realizada nos tornamos mais fortes, mais unidas. É desse empoderamento que precisamos para, juntas, traçarmos as nossas propostas e levá-las à Brasília, em dezembro. Ter a participação da mulheres indígenas é extremamente rico e importante para a construção das nossas políticas púiblicas", finalizou a secretária da SEPMulheres Concita Maia.
Fonte: ASSESSORIA
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