O tema água dominou os discursos dos deputados e vereadores ontem na Assembleia Legislativa do Estado (ALE) e Câmara Municipal de Manaus (CMM) e ganhou espaço na tribuna do Senado pelo senador Eduardo Braga (PMDB).
Braga, que na segunda-feira foi chamado de ‘picareta’ pelo prefeito Amazonino Mendes na tribuna da CMM, disse ontem, na tribuna do Senado, que o descumprimento do acordo firmado em 2006 entre o governo do Estado, a Prefeitura de Manaus e a empresa Águas do Amazonas é “uma verdadeira picaretagem” contra a população.
“Esse descumprimento é um absurdo, porque é um desrespeito em dobro para com a população. Um desrespeito porque agora há água tratada e eles se negam a entregar, numa verdadeira picaretagem contra o povo do Amazonas, o povo de Manaus e o direito constitucional do manauara em receber água e ter tratamento de esgoto em sua casa”, disse o senador.
A assessoria do prefeito Amazonino Mendes não conseguiu falar com ele na terça (7) para que comentasse o assunto.
Nos parlamentos locais foram apresentadas propostas de criação de uma Comissão Especial, na ALE, para elaborar um relatório referente à produção e distribuição de água na cidade, e uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), na CMM, para investigar a aplicação dos investimentos públicos no setor nos últimos anos.
Para o deputado Chico Preto (PSD), é “coincidência” o tema vir à tona nessa época e que há interesses políticos em atrasar o início da operação do Proama. “O que falta agora é o arranjo político para fazer a água do Proama chegar à população. A verdadeira picaretagem – aí o Amazonino foge do foco – é fazer esse arranjo”, disse.
A oposição na ALE aproveitou a ‘enxurrada’ para também criticar o governo. O deputado José Ricardo (PT), que iniciou a coleta de assinaturas para a instalação da Comissão Especial, afirmou que o debate é oportunista. O deputado Marcelo Ramos (PSB) criticou Braga e Amazonino. “Braga disse que o Amazonino só se preocupou com a água no último ano de mandato. “Égua? Ele que foi vereador, deputado federal, governador e agora senador. Um dia em 2012 ele pensou que tem gente sem água? Esse debate desmoraliza os dois”.
A base aliada do governo, por sua vez, criticou a repactuação do contrato com a empresa, em 2007, na gestão de Serafim Corrêa (PSB), da qual Ramos fazia parte.
O presidente da ALE, Ricardo Nicolau (PSD), afirmou que medidas serão “adotadas” para evitar que embates políticos atrapalhem as votações.
Na Câmara Municipal não foi diferente, o bloco de oposição ao prefeito aproveitou a tribuna para criticar a concessionária de água e as declarações de Amazonino. O vereador Marcel Alexandre (PMDB) disse que Amazonino não tem propriedade para chamar ninguém de ‘picareta’.
A base aliada rebateu alegando falta de fiscalização da concessionária na administração de Serafim e atribuiu à administração passada os problemas de distribuição de água em Manaus.
Fonte: D24AM
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