Brasília - Uma pesquisa baseada no uso inédito de uma tecnologia para testagem de sífilis e HIV permitiu rastrear a prevalência dessas doenças na população indígena do Amazonas e Roraima. Antes, os pacientes precisavam ser removidos para as áreas urbanas. Agora, em 20 minutos, na própria aldeia é obtido o resultado – a mesma tecnologia será utilizada em gestantes em todo o País, por meio da Rede Cegonha.
Com o diagnóstico, foi possível o início imediato do tratamento para esses pacientes. A ação é uma parceria das secretarias Especial de Saúde Indígena (Sesai) e de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam), da Fundação Bill & Melinda Gates e da Organização Mundial de Saúde (OMS).
De acordo com o secretário Especial de Saúde Indígena, Antônio Alves, o projeto buscou vencer as barreiras geográficas para diagnóstico destes agravos. É a primeira vez que o teste rápido para sífilis é utilizado no País. “O sucesso desse trabalho só foi possível graças à parceria com as entidades envolvidas e os profissionais de saúde, que não mediram esforços para colher as amostras e tabular os dados com qualidade.
As comunidades escolhidas estão em áreas de difícil acesso, com algum inter-relacionamento dentro e fora da comunidade”, destacou.
As áreas onde a sífilis apresentou maior prevalência foram na região do Alto Solimões e do Vale do Javari, localizadas na região da Tríplice Fronteira, situação que facilita o contato com não indígenas.
Ainda de acordo com a pesquisa, fatores externos e internos foram apontados como causadores desta vulnerabilidade indígena. Entre os externos estão a ocupação ilegal de não indígenas, turismo e a presença de organizações não governamentais. Os fatores internos apontados pelos pesquisadores são o desconhecimento sobre DST/Aids, uso de álcool, presença de comunidades indígenas em centro urbanos, migrações, restrições de uso de preservativo e festividades com presença de não indígenas.
Resultados
De acordo com o estudo, a prevalência de sífilis na população indígena avaliada foi 1,43% - um índice considerado elevado pelos pesquisadores. A prevalência de HIV foi de 0,1% na população testada, baixa quando comparada à população geral do País (0.6%). Em gestantes indígenas, o percentual de sífilis foi 1,03% um pouco mais baixa que as taxas encontradas em gestantes que moram nos grandes centros urbanos (1,6%); já a prevalência de HIV foi de 0,08%.
Até o momento, foram testados 45.612 indígenas, acima de 10 anos de idade, o que representa 54,7% da população indígena do Amazonas e Roraima. No total, serão testados pelo projeto, 83.311 indígenas destes dois Estados, atingindo 100% da população, correspondendo a 195 etnias espalhadas em áreas indígenas. A intenção da Sesai é ampliar a testagem para outras comunidades indígenas do País ainda este ano, devido ao contato dos índios com os não índios. A primeira etapa do projeto termina em 30 de julho.
Fonte: Portal Amazônia
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