Pesquisadores de países da América Latina irão se reunir no Amazonas para apresentar estudos e discutir estratégias de combate a três famílias de mosquitos aquáticos. Entre os dias 8 e 12 de outubro serão realizados dois encontros internacionais e um nacional sobre os mosquitos Chironomidae, Ceratopogonidae e Simuliidae, no auditório do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Será a primeira vez que o Estado irá sediar o 7º Encontro Brasileiro sobre Taxonomia e Ecologia de Chironomidae, 4º Encontro Latino-Americano sobre Simuliidae e o 1º Encontro Latino-Americano sobre Ceratopogonidae. Os mosquitos simuliidae, conhecidos na região amazônica como borrachudos ou piuns, podem transmitir doenças causadas por vermes como a mansonelose, que causa dores nas articulações, febre e coceira.
Eles também são transmissores da filariose e um mal conhecido como “cegueira dos rios”, a oncocercose, que pode levar a pessoa à cegueira quando está na fase dos 30 a 35 anos. Já os mosquitos ceratopogonidae, conhecidos como maruins ou mosquitos pólvora, são transmissores de viroses. Os chironomidae são mosquitos que habitam ambientes aquáticos com pouca poluição e não transmitem doenças.
De acordo com o organizador dos encontros, o pesquisador do Inpa Eloy Castellon, um dos objetivos dos eventos é reunir todos os estudos desempenhados nos países da América Latina sobre a biologia do mosquito e as doenças que transmitem. “As pesquisas que temos no Amazonas ainda são bem recentes e temos países latinos que não tem pesquisadores que trabalhem com essas famílias de mosquitos”, destacou.
Durante os dias de evento, os pesquisadores irão discutir mecanismos de combate às doenças transmitidas por esses mosquitos. A mais grave delas, de acordo com Castellón, é a oncocercose. “Essa cegueira já atingiu grande parte da população yanomami. Tivemos surtos de filariose em vários estados brasileiros e é importante que os pesquisadores troquem experiências a respeito dos mecanismos de combate. Nenhuma dessas doenças mata, mas é preciso combater”, afirmou. Além de estudiosos do Brasil, também devem participar pesquisadores do México, Argentina, Colômbia e Venezuela. Na região amazônica existem pelo menos 90 espécies de mosquitos da família ceratopogonidae e um número aproximado de insetos simuliidae. Os encontros também servirão como incentivo da pesquisa dos insetos e a formação de grupos de pesquisadores nos países participantes, segundo o pesquisador Eloy Castellon. “Temos poucos pesquisadores e precisamos dar continuidade aos trabalhos que vem sendo realizados nesses lugares”, disse.
Fonte: A Crítica
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