A Leishmaniose Tegumentar Americana tornou-se comum em municípios do Amazonas. Rio Preto da Eva, Parintins, Coari, Presidente Figueiredo e Manaus são cidades afetadas pelo mosquitophlebominap, o que motivou o início de estudos para inibir o avanço da doença no interior do Estado. Para isso, um grupo de pesquisadores amazonenses estuda, desde 2005, o funcionamento do sistema imunológico de pacientes já infectados. O objetivo do estudo é conseguir definir o diagnóstico precoce da doença.
O grupo analisa amostras de sangue e exames parasitológicos de pacientes da capital e dos municípios de Presidente Figueiredo e Rio Preto da Eva. As análises das coletas do material dos infectados são realizadas no laboratório de Leishmaniose e Doença de Chagas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e no laboratório de pesquisa da Fundação de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), em Manaus. O foco da pesquisa é analisar a incidência da doença antes e após o tratamento médico.
Segundo um dos participantes do projeto, Henrique Guimarães, os dados serão úteis para um diagnóstico precoce da doença e na indicação de fatores relacionados à ocorrência da infecção. O pesquisador adiantou que nos estados da região Nordeste, o mosquito causador da doença já virou domiciliar, ou seja, pode ser encontrado dentro das casas. O Amazonas ainda não chegou a este patamar porque ainda possui mata conservada. Esta mesma floresta, porém, é o esconderijo perfeito para o inseto de apenas 0,5 centímetros.
Devido ao pequeno tamanho, o mosquito não tem voo longo, ficando nos troncos das árvores: o homem toca e o inseto se defende, picando o indivíduo. Em Manaus, o bairro Cidade Nova – especificamente nas localidades próximas ao Jardim Botânico- registra a maior quantidade de casos. O pesquisador atribui o perigo a existência de uma invasão no local. O consequente desmatamento contribuiu para trazer o inseto para mais perto dos moradores das casas.
Transmissão em áreas de floresta
O padrão de transmissão da doença está relacionado especialmente com atividades de manejo florestal. No interior do Estado, a transmissão do mosquito acontece principalmente em casas próximas a florestas primárias. A pesquisa identificou ainda que amazonenses com idade entre 18 e 35 anos são os mais infectados pelo mosquito. “São moradores de sítios e ramais e, normalmente, é nesta idade que os rapazes vão para o mato caçar”, explicou.
Apesar de haver uma certa facilidade na infecção, Guimarães salienta que o diagnóstico é rápido. Um soro é aplicado no indivíduo com suspeita da doença. Caso em até 48 horas apareça uma ferida a partir de cinco centímetros, o diagnóstico é considerado positivo. “É muito difícil de identificar a doença no começo. Surge uma pequena ferida quee, se não tratada, vai aumentando e possivelmente mudando de lugar”, afirmou o pesquisador.
O tratamento, porém, demora mais que isso. Nesta fase, são aplicadas injeções do remédio por dia, durante uma semana. O paciente também precisa acompanhar a resposta do medicamento durante sete dias.
Remédios caseiros e preconceito
O pesquisador alertou ainda a picada do mosquito pode ter a aparência de uma pequena úlcera. Remédios caseiros não são indicados nesses casos. “Estes medicamentos caseiros somente agravam mais o quadro. Sem o devido cuidado, a ferida vai crescendo e pode medir em torno de seis centímetros. Fica feio e parecido com lepra”, disse. Ele lembrou ainda que ainda é comum o preconceito da população contra doentes infectados pela leishmaniose, mas segundo Guimarães, ‘tudo isso pode ser evitado’, com disciplina no tratamento e identificação precoce dos casos.
Fonte: Portal Amazônia
Artigos
Destaques Políticos
Editorias
Colunistas
Notícia na Hora
Editor Chefe