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Distritão ou manobra política? - Por: Professor Lourione  

16/08/2017 - [09h:47m] - Artigos      Diminuir Aumentar

Vamos entender o que é o "distritão"? O novo sistema eleitoral aprovado na comissão de reforma política.

No "distritão", são eleitos os mais votados. Os votos dados aos não eleitos ou aqueles dados em excesso aos eleitos são desconsiderados.

Nos bastidores da Câmara o argumento pró-distritão tem sido o seguinte:

no atual modelo é preciso que o partido reúna o maior número de votos. Logo, quanto mais candidatos lançar, melhor. No "distritão", vale lançar apenas
os que têm chances reais.

Devido à proibição do financiamento empresarial, o dinheiro de campanha será escasso. Por isso, quanto menos pessoas para dividir recursos, melhor.

Nesse cenário, os candidatos tendem a ser os que já têm mandato, o que dificultaria a renovação.

Na verdade, essa é uma tentativa de assegurar a reeleição para os atuais deputados federais, deputados estaduais e senadores.

Críticos classificam como uma manobra para assegurar a reeleição dos atuais políticos.

O "distritão" enfrentará forte resistência na votação em plenário na Câmara, onde precisará do apoio de pelo menos 308 dos 513 parlamentares.

O modelo, usado para candidaturas a deputado e vereador, substituiria o atual em 2018 e 2020 e é apoiado pela cúpula do Congresso e pelos principais partidos
aliados a Michel Temer.

Mas as bases dos partidos resistem à proposta.

Quem conhece o sistema eleitoral sabe que a renovação é praticamente impossível se o "distritão" for aprovado.

Está claro que os atuais deputados e senadores que subtraíram bilhões dos cofres públicos juntamente com Temer, Dilma, Lula, Aércio, etc.

farão e gastarão o quanto for necessário para aprovar o "distritão".

Fica evidente que  o atual modelo de eleição proporcional dificultará a reeleição dos atuais políticos, que terão que concorrer com outros candidatos ficha
limpa.

Não estou afirmando que o atual modelo de eleição proporcional seja o melhor, apenas quero chamar a atenção para a crise política vivida pelo Brasil,

onde a maioria dos nossos deputados e senadores estão envolvidos em escândalos jamais vista na história do nosso país, envergonhando toda a nação.

E ainda assim, querem permanecer no poder.

Segundo o texto aprovado na comissão, em 2022 já deve entrar em vigor outro sistema eleitoral, o voto "distrital misto".

Neste modelo, o eleitor vota duas vezes para deputado federal, deputado estadual e vereador em município de mais de 200 mil habitantes.

Um voto vai para um candidato de sua região e o outro para um candidato da lista preordenada do partido.

São eleitos os candidatos mais bem votados no distrito e os mais votados dentro da lista do partido ou da coligação.

Esse modelo de eleição contempla os interesses dos que defendem o distritão, bem como os que defendem a eleição proporcional.
 

Fonte: José Lourione

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