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Bruno Peron

BRUNO PERON
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Era dos telefones inteligentes

03/08/2015 - [07h:49m] - Artigos      Diminuir Aumentar

Muitos usuários de tecnologias novas – confesso que eu inclusive – resistíamos a algumas mudanças de hábitos previstas no acesso a redes sociais (Facebook,
LinkedIn, etc.) e na compra de telefones inteligentes (smartphones). Achávamos que haveria mais malefícios que benefícios, e que portanto seria mais prudente
apegar-se às tecnologias e formas de interação social com as quais já estávamos habituados. Esta é a visão avessa a mudanças que muitos ainda têm, por
incrível que pareça.

No entanto, alguns motivos levam-nos a experimentar tecnologias mais atuais para avaliar se são tão boas quanto parecem e quanto propagandeiam. Na maioria
das vezes, surpreendemo-nos com a agilidade de comunicação em ferramentas como Facebook e Twitter. E impressionamo-nos também com a celeridade como telefones
inteligentes substituem computadores em termos de portabilidade e uso mais fácil.

Desde que muitos de nós abrimos uma conta no Facebook (entre outras redes sociais) e passamos a usar aplicativos de telefones inteligentes, não imaginamos
nossas vidas sem esses recursos sociais e técnicos. A primeira vantagem é a da comunicação, que ficou mais barata, ampla e rápida. A segunda é a personalização,
que permite a instalação de aplicativos e a configuração de ícones na tela desses equipamentos eletrônicos de acordo com as necessidades de cada usuário.

É verdade que tudo tem seu preço. Essa quantidade enorme e essa variedade de recursos eletrônicos alcançam-nos em telefones inteligentes a troco de menos
privacidade e mais publicidade. Por isso, é importante que se leia a lista de permissões antes de instalar qualquer aplicativo, pois empresas costumam
ter acesso à nossa lista de contatos, nossas fotos e outros conteúdos armazenados nos aparelhos ditos inteligentes. Há conceitos como armazenamento de
dados e marquetingue eletrônico que têm tomado a vez de métodos mais tradicionais de cadastro e comércio.

Após esta avaliação breve dos prós e contras no uso de telefones inteligentes, há pesquisas que indicam crescimento considerável do número de seus usuários.
Comento aquela que se realizou por Flurry, que é uma empresa dos Estados Unidos pertencente ao Yahoo desde meados de 2014. Flurry tem monitorado o uso
de telefones inteligentes e chegou a dados consistentes relativos a seus usuários em locais vários do mundo.

Flurry indicou que, entre 2014 e 2015, houve crescimento de 60% do número de pessoas viciadas em telefones inteligentes. Para entender esses dados, a pesquisa
desta entidade classificou três usuários: os de uso regular (regular user), uso frequente (super user) e uso viciado (mobile addict). O primeiro abre um
aplicativo até 16 vezes por dia, o segundo entre 16 e 60, e o terceiro mais de 60.

É curioso que, entre 2014 e 2015, o aumento maior da porcentagem (60%) tenha sido em relação aos viciados em telefones inteligentes. O número era de 176
milhões em 2014 e chegou a 280 milhões em 2015. Enquanto usuários abrem aplicativos dez vezes por dia em média, um viciado acessa aplicativos mais de sessenta
vezes por dia (principalmente os de mensagens e redes sociais como Facebook e WhatsApp).

Apesar de que a sede da Flurry é nos Estados Unidos, a pesquisa que acabo de mencionar indica que o aumento no uso de telefones inteligentes não é um fenômeno
restrito a estadunidenses e sua febre por tecnologias. Essa pesquisa teve acesso a informações armazenadas em aplicativos em 1,8 bilhão de telefones inteligentes
em vários lugares do mundo.

Esses dados sugerem que os telefones inteligentes têm ganhado espaço no mercado até entre os mais desconfiados e os de renda baixa. Compras a crédito facilitam
que mais pessoas adquiram telefones inteligentes. A perda de privacidade, portanto, não intimida os usuários, já que há benefícios em comunicação e recursos
que ultrapassam os malefícios.

Telefones inteligentes potencializam atividades que, em momentos anteriores, eram realizadas com custos mais altos (ligações telefônicas, que hoje podem
ser feitas através de Skype, Viber e WhatsApp), uso de aparelhos grandes para recursos audiovisuais (ouvir música, assistir a filmes e vídeos, brincar
com jogos eletrônicos), e ida ao banco (trâmites bancários). Tais telefones reúnem todas essas tarefas e possibilidades em equipamentos que, apesar de
inteligentes, cabem no bolso com folga.

http://www.brunoperon.com.br
 

Fonte: Bruno Peron

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