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Julgamento do Coronel Ustra - Por Hiram Reis e Silva

31/07/2011 - [14h:32m] - Eleições - Política      Diminuir Aumentar

“Excessos em toda guerra existem, podem ter existido, mas a prática de tortura como eles falam não ocorreu. Eu efetivamente não cometi excesso contra ninguém. A minha missão como comandante não era de estar ali junto, interrogando preso. Eu não torturei ninguém”. (Carlos Alberto Brilhante Ustra)

 A Justiça paulista iniciou, nesta quarta feira, 27 de julho, no Fórum João Mendes, em São Paulo, o julgamento do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI). Curiosamente o julgamento de um herói nacional tem início dois dias após o aniversário do atentado perpetrado pelos traiçoeiros terroristas há 46 anos atrás no Aeroporto de Guararapes, em Recife.
 
-  DOI/CODI
 
O DOI/CODI do antigo II Exército (hoje Comando Militar do Sudeste) foi criado em 1970 em substituição à Operação Bandeirantes (OBAN). Em São Paulo agiam as organizações terroristas mais radicais chamadas de “Grupos de Fogo”, que executavam ações armadas, matando e mutilando inocentes, invadindo quartéis em busca de armas e assaltando bancos, residências de autoridades, carros-fortes e lojas comerciais. Apesar dos esforços do Major Waldir Coelho chefe da OBan, e do chefe do DOPS paulista, delegado Sérgio Paranhos Fleury, as ações terroristas cresciam e se tornavam cada vez mais audaciosas. O DOI/CODI, sob o comando heróico e obstinado do Coronel Ustra os grupos terroristas foram desbaratados, suas células eliminadas e os militantes mortos. A ação determinada do Cel Ustra trouxe, novamente, tranquilidade, paz e segurança para as ruas de São Paulo antes dominadas pelos extremistas comunistas. Os derrotados jamais o perdoaram e resolveram transformar sua vida e a de sua família num inferno.
 
-  Um Herói Caluniado pelos Celerados
 
Estaremos sempre solidários com aqueles que, na hora da agressão e da adversidade, cumpriram o duro dever de se oporem a agitadores e terroristas de armas na mão, para que a Nação não fosse levada à anarquia.
 (Walter Pires de Carvalho e Albuquerque)
 
O Cel Ustra nega os abusos afirmando:
 
Está nos jornais escrito que eu sou acusado de 502 acusações de tortura. Ora, no meu órgão (DOI-CODI) passaram milhares de presos. Acho que uns quatro mil presos passaram por lá. Praticamente todos eles diziam: “não cometi, eu falei sob tortura”. Então não são 500 acusações, são mais de 4 mil.
 
O casal Teles acusa Ustra de ter mantido seus dois filhos, Janaína e Edson Luis, na época crianças, dentro das dependências do DOI-CODI. O Cel Ustra se defende afirmando que as crianças ficaram sob os cuidados de uma Policial Militar e tinham autorização para visitar os pais diariamente até que os tios, que moravam em Belo Horizonte, viessem buscá-las.
 
-  A Gorda Bolsa Terrorismo
 
“Quer dizer que eles pegam em armas contra o governo, perdem, e depois ganham dinheiro por que perderam? Isso não foi Revolução, foi Investimento!”.
(Millor Fernandes)
 
Os terroristas não sabiam, mas estavam investindo em seu patrimônio. Ou da família. Até gente que nunca atirou uma pedra com estilingue e não correu risco de levar pito nem do síndico recebeu indenizações milionárias como “vítima da ditadura”. Lula é um pensionista, imaginem... Frei Chico, seu irmão, aquele que se identifica como “Roberto” (ou seria algum “Roberto” se fazendo passar por Frei Chico?) tem direito a R$ 3.760 por mês e indenização de R$ 461 mil. Ficou 16 dias preso. Nunca encostaram a mão em um fio de sua barba - nem na de Lula, que nunca deixou de receber salário do sindicato ou do PT. Ainda há quase 30 mil pedidos de pensão sendo analisados. O Programa Bolsa-Terrorismo já soma quase R$ 2,3 bilhões em indenizações e custa R$ 28 milhões por mês em pensões. É um esculacho, uma piada grotesca. (...)
 
PS: Só para registro. Defendo que se pague indenização para quem, preso pelo Estado, morreu em razão de tortura. Aí, sim. Todo o resto, incluindo a decisão de morrer com uma arma na mão, é uma questão de escolha. O Brasil não deve nada a esses caras, incluindo a democracia, que eles tanto detestavam. (Reinaldo Azevedo)
 
A “Presidenta” Dilma Roussef, cujo processo está pronto, pediu para que seu julgamento fosse adiado. A ex-guerrilheira da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) prefere que sua Bolsa Terrorismo entre na pauta quando não estiver mais no governo.
 
-  As Vítimas do Terrorismo
 
Quando viramos, vimos ali (uma esquina da Paulista), exatamente naquele cantinho um negócio grande de umas quatro polegadas, cinco polegadas de diâmetro saindo fumaça de dentro e achamos que era um curto-circuito e resolvemos chamar o guarda que a gente conhecia pra ver, falar que tava pegando fogo. Infelizmente, não era pegando fogo, eram quatro bananas de dinamite, que em segundos explodiu. Foram 90 dias de hospital e nove cirurgias com anestesia geral. Depois de oito dias, eu tive que amputar a perna. (Orlando Lovecchio Filho)
 
O terrorista Sérgio Ferro Pereira, um dos participantes da ação, disse que recebeu instruções sobre o uso de explosivos, que usou na esquina da Avenida Paulista, de Diógenes José de Carvalho Oliveira, militante da VPR.
 
Por que o cidadão que causa o dano pode receber reparações econômicas? Por que um cidadão comum que foi vítima deles, eu fui vítima deles e fui vítima do estado, não pode ter a mesma reparação? O que eu peço sempre e luto sempre é que não há nada injusto é que eu receba apenas igual e tão somente o que eles recebem. Só isso que eu quero. Não quero mais nada. (Orlando Lovecchio Filho)
 
Somente em 2004, o governo considerou que Orlando Lovecchio, vítima dos terroristas, tinha direito a uma pensão vitalícia, em torno dos R$ 571,00, enquanto Diógenes, o artífice do atentado que o vitimou, foi beneficiado com uma pensão mensal de R$1,6 mil e recebeu, ainda, R$ 400 mil de indenização.
 
-  46 anos do Atentado de Guararapes
    Fonte: Ternuma
 
Em 1966, dois anos depois da Revolução de 31 de Março, a Nação brasileira empenhava-se em reerguer o País, após o caos dos primeiros anos da década de 60. Entretanto, uma pequena minoria inconformada, constituída pelos comunistas e pelos corruptos que haviam sido alijados da vida política nacional, procurava reorganizar-se e, de qualquer maneira, expressar seu descontentamento. Recife, a capital pernambucana, foi a escolhida para ser o cenário inicial de uma nova forma de luta - o terrorismo - que, por muitos anos, viria a ensanguentar e a enlutar a sociedade brasileira. O 31 de março de 1966 amanhecia com sol. O povo pernambucano e as autoridades já estavam reunidos no Parque 13 de Maio, aguardando o início das comemorações do segundo ano da Revolução. Nesse momento, exatamente às 08h47minh, ocorria violenta explosão no 6º andar do edifício dos Correios e Telégrafos, onde funcionavam os escritórios regionais do SNI e da Agência Nacional. Ao mesmo tempo, uma segunda explosão atingia a residência do Comandante do IV Exército. Mais tarde, seria encontrada uma terceira bomba, falhada, num vaso de flores da Câmara Municipal de Recife, onde havia sido realizada uma sessão solene em comemoração à Revolução Democrática. Três bombas montadas para, num só momento, atingir personalidades e entidades representativas do governo brasileiro. Iniciava-se a guerra suja. Entretanto, a bomba falhada no legislativo municipal deveria estar incomodando os terroristas e estar sendo vista como um parcial fracasso de execução.
 
Assim é que, em 20 de maio de 1966, 50 dias após esse ensaio geral, foram lançadas outras três bombas - dois “coquetéis molotov” e um petardo de dinamite, contra os portões da Assembléia Legislativa de Pernambuco. A Nação, estarrecida, vislumbrava tempos difíceis que estavam por vir.
 
Em 25 de julho de 1966, uma nova (terceira) série de três bombas, com as mesmas características das anteriores, sacode Recife. Uma, na sede da União de Estudantes de Pernambuco, ferindo, com escoriações e queimaduras no rosto e nas mãos, o senhor José Leite, de 72 anos, vítima inocente que passava pelo local. Outra, nos escritórios do Serviço de Informações dos Estados Unidos (USIS), causando, apenas, danos materiais. A terceira bomba, entretanto, acarretando vítimas fatais, passou a ser o marco balizador do início da luta terrorista no Brasil. Nessa manhã de 25 de julho de 1966, o Marechal Costa e Silva, então candidato à Presidência da República, era esperado por cerca de 300 pessoas que lotavam o Aeroporto Internacional dos Guararapes. Às 08h30minh, poucos minutos antes da previsão de chegada do Marechal, o serviço de som anunciou que, em virtude de pane no avião, ele estava deslocando-se por via terrestre de João Pessoa até Recife e iria, diretamente, para o prédio da SUDENE. Esse comunicado provocou o início da retirada do público. O guarda-civil Sebastião Tomaz de Aquino, o “Paraíba”, outrora popular jogador de futebol do Santa Cruz, percebeu uma maleta escura abandonada junto à livraria “SODILER”, localizada no saguão do aeroporto. Julgando que alguém a havia esquecido, pegou-a para entregá-la no balcão do DAC.  Ocorreu uma forte explosão. O som ampliado pelo recinto, a fumaça, os estragos produzidos e os gemidos dos feridos provocaram o pânico e a correria do público.
 
Passados os primeiros momentos de pavor, o ato terrorista mostrou um trágico saldo de 17 vítimas. Morreram o jornalista e secretário do governo de Pernambuco Edson Regis de Carvalho, casado e pai de cinco filhos, com um rombo no abdômen, e o vice-almirante reformado Nelson Gomes Fernandes, com o crânio esfacelado, deixando viúva e dois filhos menores. O guarda-civil “Paraíba” feriu-se no rosto e nas pernas, o que resultou, alguns meses mais tarde, na amputação de sua perna direita. O então Tenente-Coronel do Exército, Sylvio Ferreira da Silva, sofreu fratura exposta do ombro esquerdo e amputação traumática de quatro dedos da mão esquerda. Ficaram, ainda, feridos os advogados Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antonio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro, os estudantes José Oliveira Silvestre, Amaro Duarte Dias e Laerte Lafaiete, a professora Anita Ferreira de Carvalho, a comerciária Idalina Maia, o guarda-civil José Severino Pessoa Barreto, o Deputado Federal Luiz de Magalhães Melo e Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas seis anos de idade.
 
O acaso, transferindo o local de chegada do futuro Presidente, impediu que a tragédia fosse maior. O terrorismo indiscriminado, atingindo pessoas inocentes e, até, mulheres e crianças, mostrou a frieza e o fanatismo de seus executores. Naquela época, no Recife, apenas uma organização subversiva, o Partido Comunista Revolucionário (PCR), defendia a luta armada como forma de tomada do poder. Dois comunistas foram acusados de envolvimento no ato terrorista: um, Edinaldo Miranda de Oliveira, militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e que, em 1986, era professor de Engenharia Elétrica em Recife, e o outro era Ricardo Zaratini Filho, então militante do PCR e atual assessor parlamentar da liderança do PDT na Câmara Federal. Entretanto, nunca foi possível determinar, exatamente, os autores dos atentados. Não havia, ainda, no País, órgãos de segurança especializados no combate ao terror. Em 18 de maio de 1999, em entrevista ao jornal “O Estado de São Paulo”, o Comandante do Exército, Gen Ex Gleuber Vieira, declarou a respeito da reabertura do caso Riocentro:
 
Nós nunca pensamos em pedir reabertura de inquérito envolvendo personalidades da vida nacional de hoje que, no passado, estiveram envolvidos em assalto a bancos, sequestros, assassinatos e em atos de terrorismo. Nós não cogitamos pedir a reabertura do inquérito nem mesmo quando uma dessas personalidades declarou que sabia quem tinha posto uma bomba no aeroporto do Recife.
 
Um ano depois do atentado, em 25 de julho de 1967, foi inaugurada no Aeroporto uma placa de bronze com os seguintes dizeres:
 
HOMENAGEM DA CIDADE DO RECIFE AOS QUE TOMBARAM NESTE AEROPORTO DOS GUARARAPES, NO DIA 25 DE JULHO DE 1966, VITIMADOS PELA INSENSATEZ DOS SEUS SEMELHANTES.
 
- ALMIRANTE NELSON FERNANDES
 
- JORNALISTA EDSON REGIS
 
GLORIFICADOS PELO SACRIFÍCIO, SEUS NOMES SERÃO SEMPRE LEMBRADOS RECORDANDO AOS PÓSTEROS O VIOLENTO E TRÁGICO ATENTADO TERRORISTA, PRATICADO À SORRELFA PELOS INIMIGOS DA PÁTRIA.
 
Não sabemos se essa placa ainda permanece no aeroporto ou foi retirada ou, mesmo, substituída por homenagens aos comunistas. Hoje, os terroristas daquela época, arvorando-se em “heróis” libertários, afirmam que o que fizeram foi uma reação à “violência” do Governo Brasileiro. Intencionalmente, procuram deturpar a História e levar ao esquecimento as vítimas que causaram em sua sanha fratricida, dentre elas, as de 1966. Passaram-se muitos anos. Mas as bombas de Recife e o atentado de Guararapes não serão esquecidos.
 
– Blog e Livro
 
Os artigos relativos ao “Projeto–Aventura Desafiando o Rio–Mar”, Descendo o Solimões (2008/2009), Descendo o Rio Negro (2009/2010), Descendo o Amazonas I (2010/2011), e da “Travessia da Laguna dos Patos I (2011), estão reproduzidos, na íntegra, ricamente ilustrados, no Blog http://desafiandooriomar.blogspot.com.
 
O livro “Desafiando o Rio–Mar – Descendo o Solimões” está sendo comercializado, em Porto Alegre, na Livraria EDIPUCRS – PUCRS, na rede da Livraria Cultura (http://www.livrariacultura.com.br) e na Livraria Dinamic – Colégio Militar de Porto Alegre. Pode ainda ser adquirido através do e–mail: hiramrsilva@gmail.com.
 
 
 
Solicito Publicação
 
Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva
Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)
Vice-Presidente da Academia de História Militar Terrestre do Brasil/Rio Grande do Sul
Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)
Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Fonte: HIRAN REIS E SILVA

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