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Pedro Cardoso

PEDRO CARDOSO
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Reciclagem de bitucas – acabar com o hábito de jogá-las nas ruas

08/08/2016 - [15h:19m] - Artigos      Diminuir Aumentar

Existe uma queixa recorrente por parte da população de que os textos
são repetitivos em demasia. A resposta é que, se estes se repetem, é
porque os problemas continuam insolúveis. Por isso, volto à discussão
sobre o mau hábito de os brasileiros jogarem objetos nas ruas sem
nenhum constrangimento.
Iniciamos essa campanha de combate à sujeira das cidades em 1987.
Dentre várias ações pessoais, destaco o livro Cultura da Sujeira, que
escrevi em 1996 e o encaminhamento de um texto padronizado a todas as
prefeituras do país, entre 1995 e 1998. A quem se interessar, posso
encaminhar uma tabela com 20 ações individuais.
Não é um problema de fácil solução, em virtude da sua amplitude e
variedade de aspectos.
Assim, foi que, a partir de 2015, o foco do combate passou a ser o
hábito de se jogar as bitucas nas ruas e estradas.
Esse comportamento é generalizado entre gênero, idade, classe social e
escolaridade. Não existe diferença entre fumantes analfabetos ou
magistrados; ambos atiram as pontas de cigarro nas vias públicas, com
a mesma naturalidade.
Aqueles mais cônscios de sua cidadania utilizam como cinzeiros os
canteiros de obras, os jardins e as valas, de preferência. Jogam em
qualquer lugar onde fiquem camufladas.
Costuma-se responsabilizar as autoridades pela falta de recipientes
adequados. Depois, reforçar que as vias públicas pertencem à
coletividade e não são bens particulares de ninguém. Um  bom  começo
para solucionar  essa   questão  é   difundir   a  ideia  de   que   a
responsabilidade pela bituca é exclusiva do fumante. Em seguida,
colocar várias ações em prática.
Nessa linha, todos os estabelecimentos comerciais deveriam colocar as
chamadas bituqueiras na parte externa das entradas. Os feirantes,
donos de barracas poderiam colocar cinzeiros, mesmo que improvisados
com pequenos potes de vidro ou latas.
As grandes empresas poderiam ir mais longe e fornecer cinzeiros de
bolso ou portáteis aos funcionários, podendo ser um simples tubo de
ensaio. Essa iniciativa seria significativa se fosse seguida por todas
as agências do Bradesco, do Itaú, da Caixa Econômica Federal e do
Banco do Brasil, Correios, entre outros.
Já as faculdades e escolas em geral, verdadeiros redutos de pontas de
cigarro, deveriam dar uma educação suficientemente capaz de evitar que
seus doutores saíssem jogando bitucas  nas vias públicas. Todos
deveriam disponibilizar recipientes para reciclagem e colaborar com a
entrega das bitucas em endereços disponíveis na internet.
Nessa luta, chego às raias da grosseria e espalho mensagens
agressivas, como “fumante: rua não é cinzeiro” ou “bituca: jogar no
chão é falta de educação”.

Tenho até uma sugestão para quem se interessar em produzir um vídeo:
um casal vai pela estrada em período de muita seca. O homem machão vai
dirigindo e fumando. Ele joga a bituca fora pela janela e o fogo se
alastra de imediato. No mato, algo se mexe e a mulher reforça o mal
que ele pode ter causado a algum animal ou até pessoa. Ele desdenha,
faz chacota. Quando chegam em casa, ligam a TV e a abertura do maior
jornal do Brasil refere-se a uma pessoa que morreu num incêndio
causado por uma bituca de cigarro. A imagem do falecido vem devagar,
crescendo... Quando a imagem fica nítida, eles percebem que se tratava
do próprio filho. Acordar suado desse sonho fica a critério de quem
produzir o referido vídeo.
Insistindo nessa questão, a meta a ser alcançada seria que nenhum
fumante jogasse uma bituca em nenhuma cidade ou estrada do país
inteiro até 2025. E para aqueles que acham essa tarefa impossível,
apoio-me no pensamento do francês Jean Cocteau: “não sabendo que era
impossível, foi lá e fez”.


  

Fonte: Pedro C.da Costa

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