Como ocorria na Idade Média, onde homens e mulheres faziam movimentos parcialmente religiosos em defesa de entidades, estamos nós, envolvidos nesta verdadeira ‘Cruzada Expedicionária’, preparando-nos para a maior Conferência Mundial do Século XXI, “Copa do Mundo do Meio Ambiente” que será a RIO+20, evento que ocorrerá no próximo mês de junho, na cidade do Rio de Janeiro.
Com a “débacle” das grandes potências europeias, o Brasil, anfitrião da cúpula ambiental, começa a exercer protagonismo mundial. Está sendo procurado por investidores de grandes capitais, notadamente da Ásia, China, Cingapura, Coreia. A região nordestina, como polo de plantação industrial e estados como Pernambuco, Bahia e Ceará, que hospedam grandes montadoras de automóveis, por sua infraestrutura portuária e também suas estradas, logística e forte vigilância dos licenciamentos ambientais, passam a ser guardiões da sustentabilidade do Brasil e da Terra.
Não olvidando que estes “players” asiáticos já têm plantas industriais instaladas na Venezuela, Irã, Bangladesh e tantos outros locais, são bem vindos no Brasil, desde que, sob vigilância e cobrança, conquistem selos e certificações socioambientais que atendam totalmente ao compromisso com nossos biomas e suas compensações.
O mundo experimenta uma transição sem precedentes, com a eterna dicotomia entre a manutenção da biota e ações antrópicas que só promovem, num modelo predador, o crescimento e desenvolvimento acelerado de energias sujas, nem sempre renováveis.
Num debate apaixonado, no centro do ringue mundial, encontram-se cientistas que, de um lado defendem a ideia de que o aquecimento global, o derretimento das calotas, e geleiras, o desmatamento e a emissão desordenada de CO2 comprometem a existência e manutenção do Planeta Mãe para os próximos anos; do outro lado, também cientistas de envergadura moral e acadêmica, buscam numa guerra midiática, desmitisficar o discurso de seus pares, afirmando que tudo não passa de grande balela e, sequer, existem gases de efeito estufa tão nocivos ou devastadores.
Entre Avatares e Vingadores do Futuro, numa disputa sem fim, ficam as populações dos seis continentes, sentindo na pele os efeitos bem reais das mudanças climáticas: tufões, vendavais, furacões, terremotos ... muitos deles, provocados pela própria natureza, outros pela ação do homem no desmatamento e consequente desequilíbrio dos biomas.
Desde a ECO 92, em parceria com a Fundação Ecológica SOS Vale do Guaporé, o Jornal Ecoturismo também se tornou protagonista, além de agente veiculador, ao firmar e assinar a Carta da Terra e Agenda XXI no Fórum Global, Aterro do Flamengo. Estavam presentes o Cacique Raoni, Presidente Fernando Collor de Mello, Fidel Castro, Ted Turner, Jane Fonda, George Bush, o oceanógrafo e lendário Jacques Cousteau, o Comandante canadense Maurice Strong, Gro Harlem Brudtland da Noruega e outros enigmáticos que lançaram as bases naquele ano e repercutiram a primeira grande Conferência Mundial de 1972 em Estocolmo, Suécia.
Em 2009, como Revista e TV Ecoturismo, entramos novamente na cena ambiental do Fórum Permanente de Sustentabilidade da Amazônia e do Litoral Norte Paulista. Conduzimos e participamos de ações decisivas de foruns oficiais e oficiosos, onde protagonizaram Luiz Inácio Lula da Silva, a maior revelação da Cop 15 na Dinamarca, Presidente Obama, premiado pelo Congresso norte americano, Medlev da Rússia, Cacique Almir Surui do Brasil, Nicolas Sarcozi da França, lideranças indianas, britânicas e nórdicas que comandaram ações semeadoras de vindouras Cops ambientais em Cancun, África do Sul, etc.
Em 2012, Ano Internacional das Energias Renováveis para Todos e RIO+20, mesmo ano em que completamos a maioridade, visando à promoção da Copa do Mundo Sustentável em 2014, voltamos todas as energias para realização de cruzadas e expedições em todo o continente americano, nossa principal área de atuação.
Em janeiro, as construções, e expedições sustentáveis ocorreram na América do Norte em Las Vegas, Los Angeles e Carolina do Norte; em fevereiro no Brasil (Rio de Janeiro e Brasília). Em março, abril e maio, tais cruzadas ambientais se expandiram sobremaneira. Lideranças de Santos, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia em quase todos os municípios, Acre em 4 municípios, na tríplice fronteira com a Bolívia, Brasil e o Peru, o Peru de Sul a Norte, nas selvas, nos mares e nas Cordilheiras, aí incluídos Machu Picchu, Cuzco, Lima, Arequipa, fortes ícones arqueológicos e culturais da Humanidade sob a ótica da sustentabilidade, através dos 40000km percorridos entre voos, transporte por rodovias, ferrovias, rios, oceanos, lagos, vulcões, desenvolveram importantes diálogos de transição para uma economia verde e PIB sustentável dos países, comprometendo os povos com os grandes temas da RIO+20.
Chegando na cruzada ambiental pró RIO+20 em Cólon e Cidade do Panamá, no fabuloso Canal e seu istmo, atingimos a fronteira com a Colômbia, chegamos no Equador, regiões de Cuenca, Quito e Guayaquil, onde discutimos infraestrutura, logística, energias, culturas, patrimônios históricos e arqueológicos.
A cruzada, que teve o nome de Ecoexpedição Climática Marcas Sustentáveis do Brasil, inspirada em Marco Polo, Simon Bolivar, Pedro Álvares Cabral, Che Guevara, Indiana Jones, chegou ao Chile dialogando ambientalmente com o pessoal de Arica, Iquique, Santiago, Vina del Mar e Valparaíso.
Chegou em Mendonza (Argentina) com neve na fronteira, passou por Rosario, próxima de Buenos Aires, divisa com o Uruguai. Atingiu o Sul da América do Sul em Uruguaiana a caminho de Passo Fundo, São Leopoldo e Porto Alegre, buscando Florianópolis, Camboriú em Santa Catarina, Londrina no Paraná, Uberaba e Belo Horizonte nas Minas Gerais, e, como centro da plataforma sustentável, Rio de Janeiro, São Paulo, Santos e Brasília capital brasileira.
Depois destes investimentos socioambientais em prol do planeta Terra, com os gases carbônicos lançados na atmosfera compensados através do plantio de árvores, estaremos com stands na Cúpula dos Povos e Organização da Sociedade Civil, onde lançaremos para o mundo todo, o Livro Estrada de Ferro Madeira Mamoré 100 anos Patrimônio da Humanidade, os documentários e filmes das Ecoexpedições Climáticas na Cop 15 e preparatórios da RIO+20.
Em busca constante de nosso papel de conscientização, estivemos sempre presentes nos principais eventos climáticos e ambientais dos últimos vinte anos. A cruzada para a manutenção do Planeta Terra não tem começo nem fim. É luta eterna que se inspira na frase:
“Se queres paz, prepara-te para a Guerra ... Se queres meio-ambiente digno e decente, prepara-te para a vigilância permanente”.
Hércules Góes, mestrando em direito ambiental pela UniSantos, editor chefe do Jornal, Revista, Rádio e TV Ecoturismo, o canal das Expedições, presidente do Fórum Permanente de Sustentabilidade da Amazônia, do litoral norte paulista, Sopreparo e SOS Ecológica Vale do Guaporé, é um indignado ativista ambiental dos séculos XX e XXI.