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UnB cria método para produção de látex hipoalergênico

30/06/2018 - [15h:52m] - Saúde      Diminuir Aumentar

Pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram um método para produção de materiais hipoalergênicos de látex de
borracha natural, que poderão ser utilizado na fabricação de camisinhas, luvas cirúrgicas, cateteres e outros itens. Além de não causar alergias, os produtos
podem mais resistentes. O processo já foi patenteado.

O que os pesquisadores desenvolveram foi uma forma de inativar proteínas alergênicas no látex de borracha natural. “O látex é um meio biológico muito rico,
temos lá mais de 200 tipos de proteínas diferentes nele. No entanto, 13 delas são alergênicas e podem fazer mal à saúde. Quando se trata de usar o cateter
em posição de contato muito próximo da mucosa, se a pessoa for alérgica pode ter um choque anafilático e vir a óbito”, explicou o professor Floriano Pastore
Júnior, que lidera a pesquisa no Instituto de Química da instituição.

Em experiências anteriores, as proteínas eram retiradas do látex para evitar a alergia. "Em vez disso, partimos para uma abordagem diferente, porque vimos
que retirar as proteínas tirava a resistência dos filmes feitos com látex. Então, a forma encontrada para evitar esse efeito foi não retirar as proteínas
e, sim, bloquear a ação delas, o que foi feito por meio da utilização de tanino. Feito a partir do chá da casca da acácia-negra, o tanino é usado no curtimento
de pele animal, para transformá-la em couro. Nesse processo, o tanino passa a funcionar como escudo de proteção das proteínas, evitando ataques de bactéria,
dando estabilidade e longevidade ao couro.

“Usamos a reação química do tanino com a proteína do couro para proteger as proteínas do látex. Essas proteínas permanecem com uma capa de tanino vegetal
e não desenvolvem mais reações  alérgicas”, disse o professor.

Testes

Testes feitos em Londres comprovaram que a resistência do látex não se perdeu no novo processo. Novas comprovações estão sendo realizadas em laboratórios
do Brasil e de outros países, como nos Estados Unidos. Embora ainda não haja previsão de prazo para a adoção do método e seu uso pelo conjunto da sociedade,
há expectativa de que isso ocorra. Assim, os materiais que venham a ser produzidos por meio do processo poderão ter maior resistência, o que é particularmente
importante no caso das camisinhas, por exemplo, pois ampliará sua eficácia.

Em 1997, a Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) estimou que 8% da população em geral têm alergia ao látex. O número é bem maior, quando observados
grupos que convivem cotidianamente com o material. Nesses grupos, estão incluídos pacientes com Spina bífida, que requerem múltiplas cirurgias e frequente
cateterização vesical e os profissionais de saúde, como médicos, dentistas e enfermeiros. Neste caso, o percentual de incidência do problema chega a 20%.
 

Fonte: Agência Brasil

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