As chuvas que atingiram a Região Sul nos últimos dois meses ficaram abaixo
da média, informou o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A estiagem
acarretou sérios prejuízos para a agricultura dos três estados. O governo de
Santa Catarina está adotando medidas emergenciais para amenizar a situação
dos agricultores, principalmente da região oeste, a mais atingida. Segundo
dados da Defesa Civil, 132 municípios estão no foco da estiagem, sendo que
44 já decretaram estado de emergência.
De acordo com o secretário da Agricultura em exercício, Airton Spies, será
garantido inicialmente o fornecimento de água às pessoas e animais e já estão
sendo mobilizados recursos para que as prefeituras façam o transporte até as
regiões críticas. O governo está fazendo o levantamento dos caminhões-pipa
disponíveis a fim de que sejam imediatamente deslocados para os municípios
atingidos. A orientação para os municípios é que tenham agilidade na
elaboração dos relatórios e documentos para que obtenham o seguro das
lavouras nas instituições financeiras.
O governador em exercício, Eduardo Pinho Moreira, acompanhado do
secretário da Defesa Civil de Santa Catarina , Geraldo Althoff, do secretário
em exercício da Agricultura, Airton Spies, e do presidente do Centro de
Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Epagri), Luiz
Hessmann, vão visitar amanhã (6) os municípios mais atingidos para decidir
sobre as medidas emergenciais.
De acordo com o Epagri, não há previsão de chuva significativa para o oeste e
extremo oeste nas próximas horas. Amanhã, a nebulosidade aumenta e entre
sábado (7) e a próxima segunda-feira (9) há apenas condições de chuva típica
de verão, que pode receber reforço com a passagem de uma frente fria. Até o
próximo dia 16, as chuvas serão mal distribuídas e insuficientes para resolver
o problema da estiagem.
No Paraná, de acordo com o primeiro levantamento de perdas da safra de
verão 2011/12 divulgado hoje (5) pela Secretaria da Agricultura, estima-se até
agora uma redução de 2,55 milhões de toneladas de soja, milho e feijão que,
aos preços de hoje, significa prejuízo de R$ 1,52 bilhão. A quebra da produção
representa 11,5% da safra paranaense de grãos de verão, que era estimada
em 22,13 milhões de toneladas.
A produção de soja, inicialmente estimada em 14,15 milhões de toneladas, foi
reavaliada para 12,73 milhões, uma quebra em torno de 10%, o que
representa que cerca de 1,42 milhão de toneladas deixarão de ser produzidas.
Em valores financeiros, a perda chega a R$ 1,02 bilhão.
A área plantada com milho 1ª safra totaliza 938.335 hectares, 21% maior que
a cultivada no ano anterior. A expectativa era que a produção atingisse 7,4
milhões de toneladas, 21% acima do volume obtido na safra passada (6,1
milhões de toneladas). No entanto, devido à estiagem, passa a ser de 6,4
milhões de toneladas, o que representa redução de 14%, com uma quebra de
1,05 milhão de toneladas. Em valores financeiros, estima-se prejuízo de R$
379,7 milhões.
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul
(Emater/RS) divulga hoje, no fim da tarde, o relatório do Sistema de
Monitoramento das Condições das Culturas. A assessoria adiantou que a
estiagem afeta, em graus variados, todas as regiões, sendo os municípios
mais atingidas os que estão na metade norte do estado, especialmente
planalto, noroeste e Alto Uruguai. As culturas mais afetadas são o milho e o
feijão (1ª safra).
No caso do milho, as perdas são maiores porque o período de estiagem
coincide com a fase de pendoamento e formação de grãos. A orientação é que
os agricultores passem a escalonar as épocas de plantio e adotem formas de
reservar água na propriedade, seja para consumo humano, animal ou
irrigação.
Até agora, segundo a Defesa Civil, 47 municípios decretaram situação de
emergência e 29 estão em estado de alerta. Já são 282.861 as pessoas
atingidas, a maioria pequenos agricultores.
Fonte: G1
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