Proprietários de lotes no "Residencial Alphaville" de Sarandi se uniram à prefeitura para cobrar da Construtora Vicky a infraestrutura que deveria ter sido implantada 15 anos atrás, quando os terrenos foram vendidos. A loteadora, por sua vez, informou que está disposta a negociar e cumprir as obrigações para que em breve o bairro conte com asfalto, galerias pluviais e meio-fio.
A briga entre a prefeitura e loteadora é antiga e foi parar na Justiça com o município exigindo a construção das melhorias."Já sofri demais aqui e penso até em alugar minha casa e ir morar em um bairro melhor", diz a dona de casa Sueli Leme Alves da Costa, que com o marido e filhos foram os primeiros a construir casa e a morar no "Alphaville", uma década e meia atrás. "Quando compramos o terreno aqui, pagamos mais caro, porque havia a promessa de que toda a área seria um condomínio fechado, com infraestrutura melhor do que os outros bairros, mas até hoje não foi feito nada do que foi prometido", destaca.
Ela ressalta que nesses 15 anos viu o mato crescer em terrenos baldios e nas margens das ruas. Presenciou as ruas virarem crateras, acostumou-se a conviver com muito barro em dias de chuva e poeira em excesso quando o Sol aparece.
Para completar, descobriu que nunca morou no condomínio Alphaville, pois o "Alphaville" de Sarandi não existe no papel. O nome teria sido apenas uma estratégia da loteadora para vender os terrenos por valores acima do normal.
"O Alphaville é uma empresa que tem condomínios de luxo em todo o Brasil, mas esse nem é Alphaville e nem tem qualquer vantagem sobre os outros bairros. Até a placa que tinha lá na entrada foi retirada porque o nome estava sendo usado ilegalmente", comenta Sueli.
João Paulo Santos
Vagner Fisher aponta a situação em que se encontra as ruas, que não têm asfalto nem galerias pluviais
O vizinho Vagner Fisher também se decepcionou ao escolher morar no local que ele considerava ser um condomínio Alphaville, mas agora vê uma luz no fim do túnel. "Fizemos várias reuniões e na mais recente trouxemos representantes da prefeitura, Câmara e da empresa que vendeu os terrenos para tentar chegar a uma solução", declara, confessando acreditar que um acordo pode estar próximo.
Também a prefeitura acha que será possível colocar no "Alphaville", que na verdade é apenas uma parte do Jardim Bom Pastor, tudo aquilo que deveria ter sido implantado quando o loteamento foi vendido. A Construtora Vicky, dona do loteamento, também acha que o acordo será confirmado. "Estamos todos empenhados para que isso aconteça", afirma o engenheiro Hélio Koseki, dono da imobiliária.
INVESTIMENTO
R$ 10 mil
foi o valor pago por Sueli
Leme Costa pelo primeiro
terreno na área que seria
um condomínio
Segundo ele, a infraestrutura não foi implantada no começo porque não havia a exigência por parte da prefeitura - tanto que praticamente todos os loteamentos da cidade não têm galerias pluviais e asfalto -, mas que a imobiliária está disposta a repassar para a prefeitura cerca de cinquenta terrenos em outro loteamento para que o próprio município construa a rede de galerias e o meio-fio.
"Foi firmado um acordo para que o asfaltamento seja comunitário e a prefeitura pode aproveitar a movimentação de máquinas para fazer também a galeria, usando o dinheiro da venda dos terrenos cedidos pela imobiliária", sugere.
Para acompanhar o caso, foi criada uma comissão formada por moradores, representantes da prefeitura e vereadores. Na reunião mais recente, segunda-feira, o secretário municipal de Urbanismo, engenheiro Elton Toy, garantiu que ocorrem avanços e que a prefeitura deve aceitar receber terrenos da construtora e vendê-los para custear as obras.
Ele adianta, o entanto, que a quantidade oferecida pela Vicky possa ser insuficiente, mas isso é detalhe fácil de resolver, na opinião dele. A negociação depende agora da liberação da licença ambiental para o terreno pertencente à construtora. A solicitação está em estudo no Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
"Pelo menos agora estamos vendo as coisas acontecerem", disse o vendedor João Batista da Cruz, morador no bairro. "Antes não tínhamos esperança, mas agora vemos que tanto a prefeitura quanto a empresa mostram disposição para solucionar o problema. Sendo assim, nós aceitamos bancar parte do asfalto. Não deixa de ser um sacrifício, mas é melhor do que nunca termos asfalto", frisa.
Fonte: O Diário . Com
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