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CACOAL: Travesti é assassinada por crime de ódio às margens do Rio Machado

18/10/2011 - [11h:58m] - Polícia e Segurança      Diminuir Aumentar

 

Quem é Elisa Sabatella Brasil? Perguntando assim, muitos que não a conheciam dirão se tratar de alguma celebridade da TV, do teatro ou do cinema. Não, ela não conseguiu chegar ao estrelato. Aos 17 anos, Elisa, travesti, expulsa de casa, drogada e prostituída, teve a vida ceifada por motivos que ainda carecem de muita investigação, mas como Elisa era só uma travesti, órfã, em vida, de família, de escola, de igreja. Ninguém vai se importar com a morte dela... Elisa tinha muitos homens e, ao mesmo tempo, não tinha ninguém. Elisa não tinha um amor para chorar sua partida. Se existe este amor, certamente, está chorando calado.
 
Já procurei por todos os lados e ninguém sabe me informar quem, de fato, foi Elisa. De onde veio Elisa? O que Elisa fazia em Cacoal se não era natural daqui? Onde está a família de Elisa? Onde está Elisa agora? Será que teve um enterro digno e cristão? É de duvidar! Segundo boatos, Elisa era de Alta Floresta do Oeste de Rondônia. Será?
 
Os boatos que correm pela rua é que Elisa, sem alternativa, estava jogada na rua como todos aqueles que são marginalizados pela sociedade. Elisa, viciada, prostituía-se para comer (O que?), morar (Onde?), para se drogar (Por quê?).
 
Independente de qualquer coisa... Elisa era homem, era mulher, era adolescente, era criança e todos nós, que compomos esta sociedade injusta, somos culpados pelo mal-fadado dia em que Elisa seguiu seu algoz, até às margens do Rio Machado, para lá pagar pelo crime de ser homossexual.
 
Elisa usava drogas, Elisa furtava seus clientes. Elisa estava doente. Ela tinha uma doença social que a muitos mata. Elisa era marginal, discriminada, segregada. Elisa não tinha igreja, Elisa não tinha Escola, Elisa não tinha família, Elisa foi expulsa de todos estes lugares por ser homossexual.
 
Elisa estava de mal com o mundo e, por isso, o mundo virou-lhe as costas. De Elisa só sobrou a imagem que há muitos ela enviava pelo Orkut na tentativa de encontrar amigos, ainda que virtuais. De Elisa também ficou sua última imagem de mãos amarradas para trás, amordaçada e sufocada com uma mera e tenebrosa amordaça. Elisa se calou amordaçada diante de seu algoz. Todos nós nos calamos diante da morte de Elisa. Ninguém disse nada. Ninguém sabe de nada. Quem será a próxima vítima do criminoso que mata com tamanho requinte de crueldade?
 
Senhores vereadores e vereadoras de Cacoal, aproveito para lhes dizer: aí está o maior de todos os motivos para que votem e aprovem o Projeto de Lei que cria o Conselho Municipal LGBT. Este Conselho precisa ser realidade para retirar das ruas, dar emprego, escola, um retorno feliz para casa, e, possivelmente, um futuro melhor para as Elisas que, se não receberem auxílio do Estado, seguirão o mesmo caminho da Elisa Sabatella Brasil: 17 anos, travesti, drogada, prostituída, morta, às margens do Rio Machado, na cidade de Cacoal, no Estado de Rondônia, antes de virar estrela, aos 15 dias do mês de outubro de 2011: ironicamente, dia do professor...

Fonte: Thonny Hawany

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Comentários

  • angela borges - 26/10/2011 : 10h:00m

    ela era de alta floresta sim e tinha amigos e tbm familia teve um velorio digno pode ter certeza

  • cintia dourados - 25/10/2011 : 21h:29m

    de que valem palavras lindas e sinceras como essa?... nossas autoridades vao ver todo esse relato duro e cruel como uma linda historia de mas uma pessoa que morreu.o os governantes do nosso pais nao estao nem ai pra esses tipos de pessoas palavras deles nao minha... sou homossexual.

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