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Sergio Pires

SÉRGIO PIRES é jornalista. Iniciou sua carreira no RS no início dos anos 70 e está em Rondônia há 15 anos. Em 2012, completa 40 anos de profissão, sempre atuando na área do jornalismo.
email: ibanezpvh@yahoo.com.br

 

É muito mais fácil culpar o poder público do que assumir a cidadania

21/02/2012 - [12h:24m] - Política      Diminuir Aumentar

 

Uma média de 35 toneladas de lixo é recolhida mensalmente em Porto Velho. Mas esse número não vale para o carnaval. Logo depois dos desfiles, nos locais por onde passam blocos e escolas de samba, o número  torna-se superlativo. O folião se acostumou a beber e festejar, mas, é claro, não tem tempo para colocar garrafas, latinhas, papéis e outros detritos em locais apropriados, até porque eles estão em falta em vários pontos importantes da cidade. Em todo o país, o lixo do carnaval é uma coisa inacreditável. O brasileiro ainda não se deu conta da importância de cuidar do seu lixo, concluindo que a responsabilidade única é do poder público e ele que se vire. É por isso que em muitas cidades – Porto Velho, inclusive – a coleta seletiva ainda não decolou e, certamente, levará muitos anos para que haja uma conscientização em massa. Os lixões estão superlotados, não há mais áreas para colocar tanta sujeira e os aterros sanitários, em grandes cidades, ainda não passam se projeto. E tem mais, só para piorar: quando chove, tudo entope, voltando a podridão para dentro das casas. Daí, de novo, todos culpam as prefeituras.
 
Enquanto isso, o bloco da limpeza dá o show pós-carnaval. No domingo de manhã, algumas dezenas de operários da Prefeitura percorriam ruas do centro, tentando tirar toneladas de sujeira jogada às ruas pelos foliões, que na noite anterior, tinha desfilado na gigantesca e sensacional Banda do Vai Quem Quer. Quem andou pela cidade, no domingo de carnaval, se impressionou com o volume do lixo, certamente elogiou o trabalho dos trabalhadores na limpeza mas, com alguma consciência, deve ter ficado muito preocupado. Estamos nos habituando à sujeira? É o que parece, depois de tudo o que se viu nas ruas. Cenas comuns em quase todas as cidades deste país, onde a falta de educação e a mania de transferir para o poder público todas as responsabilidades, exime a todos nós de cumprirmos nossas obrigações de cidadania.
 
ASTRAL EM ALTA
 
Melhorou o astral pelos lados do Palácio Presidente Vargas. O governador Confúcio Moura, que andava cabisbaixo, afora está novamente entusiasmado. Parece que, finalmente, sua equipe começa a falar uma linguagem comum e está propensa a agir em bloco, quando atacada pela oposição. A aprovação, por unanimidade na Assembleia, do financiamento de 545 milhões do BNDES também deu novo alento aos governistas. Tomara que as coisas andem mais rápidas, a partir deste segundo ano de Confúcio.
 
OPERADO
 
Enquanto isso, o principal adversário do atual governo, o senador Ivo Cassol, está de molho. Foi submetido a uma cirurgia no último final de semana. Nada grave. Mas Cassol optou por ser operado aqui mesmo, em Porto Velho, ao invés de buscar atendimento fora do Estado, como fazem muitas autoridades. Até ontem, estava internado no Hospital 9 de Julho. Nos próximos dias, estará renovado.
 
SÓ SE VIR DE CIMA
 
Agora, com a entrada de Miriam Saldaña como pré-candidata do grupo político que comanda a Prefeitura da Capital à sucessão de Roberto Sobrinho, só há uma forma da ex-senadora Fátima Cleide ficar com a vaga. A de que venha uma ordem direta do comando nacional do partido ou do Palácio do Planalto, ou de ambos. Afora isso, com o diretório municipal na mão, Sobrinho vai decidir. E a decisão dele já está tomada: é Miriam Saldaña.
 
IMPUBLICÁVEL
 
Petistas ligados ao grupo do Prefeito comentam que Fátima, desde que se elegeu senadora, se afastou do PT porto velhense, ou seja, da ala municipal. E teria se cercado de todos os descontentes, considerados adversários internos pela  administração municipal. Em público, Fátima é chamada por seus companheiros de “desagregadora”. Nas conversas à boca pequena, as expressões são muito, mas muito mais agressivas, daquelas do tipo impublicáveis.
 
DISTÂNCIA
 
A ex-senadora, contudo, não fica para trás. É dura crítica de Sobrinho e do grupo do Palácio Tancredo Neves. Se sair candidata, vai se colocar como independente em relação aos seus companheiros que governam Porto Velho e, mais que isso, será uma voz opositora. A divergências são irreversíveis e só mesmo o dedo de cima, se vier, tirará a candidatura do colo de Miriam Saldaña para colocá-la no de Fátima.
 
FALTOU UM
 
Dias desses a coluna lembrou das importantes perdas do PT municipal de Porto Velho e do partido, em nível nacional, registrando a morte trágica, em acidente de trânsito, do deputado federal Eduardo Valverde e mais recentemente, do envolvimento da deputada Epifânia Barbosa, na Operação Termópilas. Mas a principal perda não estava entre pré-candidatos...
 
SAUDADES, ODAIR!
 
O dano mais significativo ao PT foi a perda, por um ataque cardíaco, do grande Odair Cordeiro. Era ele o cordão forte que unia várias facções dentro do partido, que dialogava, que apagava incêndios e que usava os melhores argumentos e uma inteligência acima da média, para fazer com que os petistas se unissem. Odair faz muita falta para sua família e seus muitos amigos. E faz falta demais também para o PT, partido que ajudou a criar e onde foi uma figura inigualável em nossa terra.
 
NO ESTADAO
 
Atenção leitores! A partir de março, a coluna OPINIÃO DE PRIMEIRA passa ser publicada também diariamente no jornal O ESTADÃO DO NORTE, além de continuar a sair em 33 sites de notícias do Estado.  
 
PERGUNTINHA
 
Até o final do carnaval, quantos rondonienses vão perder a vida na tenebrosa e superesburacada BR 364?

Fonte: Sérgio Pires

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