Vi, na televisão, um tenente da Polícia Militar carioca, sendo cumprimentado pelo secretário de segurança do Rio de Janeiro, por ter recusado a oferta de R$ 1 milhão de um general do tráfico, para soltá-lo, por “honestidade, honra e valores morais” que aprendera com seus pais. Ele ganha três mil por mês. Que valores morais são esses que leva um trabalhador a recusar uma quantia que talvez não ganhe da vida? Que põe sua vida em risco todos os dias, vivendo sob a mira do ódio e das armas de bandidos? Que garantia de vida ele tem para continuar recebendo os seus três contos a cada fim de mês?
Pois é. Trata-se de clara demonstração do poder que tem pai e mãe. Que tem uma família. Maior que todos os artigos dos códigos de conduta da sociedade. Desde Hamurabi até os dias de hoje. É ali, na família, seja que formato for, que se forja e molda o cidadão. Quando os códigos dos doutos legisladores e doutrinadores chegam-lhe ao conhecimento, à consciência, esses valores – honestidade, honra e conduta moral - já estão impregnados, para sempre, na mente e na alma. Para o bem e para o mal.
Aí vem a religião consolidando esses valores e impondo freios e castigos. Mas também, bonança em vida e gozo eterno. Pronto. Temos os duas maiores criações do gênero humano. Os maiores controles da nossa animalidade, primitiva violência e pendor para a ilicitude. Estes sim, são os dois maiores instrumentos que norteiam a vida em sociedade. São eles, mais que as leis postas e positivadas, que atuam no nosso permanente tribunal interno que chamamos de livre arbítrio. Ali, onde mora um anjo e um demônio, que passam, segundo a segundo, se digladiando pra ver quem vence, e nos impondo decisões nem sempre fácil. Numa você se lasca, mas acha que se dará bem. Noutra, você pensa que se dará bem, mas se lasca. Só Freud explica. É mole!
É nessa armadilha quem têm caído os ministros da presidente Dilma Roussef. Pensam que se darão bem, que ainda estão no governo do Lula que não sabia, não ouvia e nem via nada e, quebram a cara. A casa cai. A Dilma, a contrário, escuta, ver e toma conhecimento. E tem mais um com o barraco caindo. A cada dia voa mais uma parte do telhado. Está até ficando careca. A presidente não é paladina da honestidade. Ela até repudia esse papo de faxina. Mas não acoita assessor tão incompetente que nem roubar sabe. Deixam pistas, rastros, sinais. E sabem por que eles caem nessa? Por que ou não foram educados com os valores morais do tenente, ou então estão desonrando pai e mãe. O que é mais grave ainda.
Por saberem a importância da honestidade e da honra junto do povo, parcela dos dirigentes públicos de todos os poderes, hipocritamente pregam esses valores morais e posam de probos. Falsos e infames. Escondem-se na penumbra desse biombo, para ocultar suas falcatruas e enriquecer impunemente. Uns são excelências, outros, meritíssimos e alguns, reverendos ou sua santidade. Com o diploma na parede, a toga nos ombros ou a bíblia nas mãos, são bandidos, lobos do homem.
Aquele tenente, com sua atitude, resgatou a dignidade dos que vivem honesta e honradamente. De quem leva para casa o estrito fruto do seu trabalho. De quem ama e honra pai e mãe. A maioria do povo ergueu a cabeça.
Osmar Silva
Jornalista
sr.osmarsilva@gmail.com
Fonte: Osmar Silva
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