A audiência pública ocorrida na Assembléia Legislativa para discutir a oportunidade do estado pegar um empréstimo de meio bilhão de reais do BNDES, transformou aquela casa no palco do mais importante confronto político antecedente aos pleitos deste ano e de 2014. O tamanho do recurso, a necessidade, finalidade e conveniência foram somente a imagem que escondia o pano de fundo. Este sim, pré-definindo quem sobreviverá no comando político de Rondônia após as duas próximas eleições. O embate foi uma guerra de vida e morte. Pelo menos, foi isto que vi.
O titular consolidando a área conquistada, reforçando as paliçadas e ampliando as fronteiras. Do outro lado, um desafiante raivoso, desarticulado, perdendo forças e espaço com sua conduta contrária aos interesses da maioria do povo e do estado. Desesperado, confrontou a platéia, desafiou personalidades e mentiu. Mentiu muito. Por isso mesmo, provou do veneno que o povo dá aos seus desafetos: vaias e desprezo. E não adianta dizer que eram somente os comissionados do governo. Lá estavam também, as suas tropas. Minoritárias, derrotadas, cabeças baixas, mas estavam.
É uma incoerência vergonhosa ver o ex-governador Ivo Cassol com seu refrão de oito anos: “Rondônia não pode parar!” e que em nome disso justificou todo tipo de expediente e conduta para atingir este e outros objetivos menos claros, agora posicionar-se loucamente contra o crescimento e o progresso de Rondônia. Transformar em bandeira uma postura contrária aos interesses dos municípios do estado, dos cidadãos e, naturalmente, dos políticos que este ano buscam renovar ou conquistar mandatos eletivos. Perdeu apoios e ampliou os antipatizantes.O sopro do vento e as correntes das águas demonstraram claramente pra onde corre o vento. E isso deve ter deixado o derrotado e sufocado ex-governador com um nó atravessado na garganta. É claro que o empréstimo vai sair e vai ajudar Rondônia a crescer e criar novas oportunidades de trabalho e renda para uma população que está vendo seus trabalhadores ficarem desempregados ou obrigados a migrar para as barragens de Belo Monte, no Pará. Claro que ele sabe que esta vitória do governo pode estar representando seu crepúsculo e morte política, enterrando seu sonho de botar os pés no Palácio Rio Madeira, construído em forma de C ... de Confúcio.
Resta-lhe agora, desencarnar. Abandonar de vez “um corpo que não lhe pertence mais”. Parar de querer pautar um governo que o povo lhe tirou e deu ao médico de Ariquemes. Aceitar, com gratidão, o mandato de oito anos que a gente boa de Rondônia lhe confiou. E trabalhar duro para se mostrar digno desta confiança. Coisa que não tem feito. Deveria naquela audiência fazer um relato de suas realizações: projetos de lei, emendas e recursos obtidos e transferidos para Rondônia. Frutos do seu trabalho e do seu prestígio. Como não tem nada disso, fica como um espírito das trevas zanzando numa dimensão intermediária, querendo mandar num corpo que não é mais seu. Só chamando um exorcista para mandá-lo de volta para o Senado, onde poderá ficar perambulando em rodas que se desfazem com sua presença carrancuda, rancorosa, vingativa. Do mal. Pelos próximos sete anos. “Ficou com pena? Leva pra ti!” E tem quem tenha pena?
Osmar Silva
Jornalista
sr.osmarsilva@gmail.com
Fonte: Osmar Silva
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