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ARTIGO: "Crack" - Informar sem alarmar - Por: Jair Queiroz*

05/05/2010 - [03h:15m] - Saúde      Diminuir Aumentar

 

Quando o crack chegou ao Brasil, em meados dos anos noventa, as primeiras cidades a sentirem o problema foram as capitais do nordeste, sudeste e sul. Depois foi a vez de Brasília, onde encontrou uma “área livre de consumo”, fato denunciado recentemente por matérias jornalísticas dando conta de que por lá o consumo da droga tomou a proporção de epidemia.   
 
Até então olhávamos tudo isso com um misto de aflição e pena das vítimas, não só daqueles  que se tornaram dependentes, mas dos cidadãos em geral, reféns dos índices de criminalidade que chegaram na carona da droga. 
 
Infelizmente chegou a nossa vez. Embora ainda não haja números oficiais já é noticiado pela imprensa local, com base em observações oriundas do Departamento de Narcóticos da Polícia Civil, que a droga desembarcou de vez em Porto Velho e já vem provocando estragos. Conselheiros Tutelares afirmam que o envolvimento de menores no consumo cresce rapidamente, assim como a violência, inclusive na própria família, já que essas vítimas precoces se tornam arredios às regras de convivência familiar.
 
A chegada do crack colocou pais, professores e autoridades em alerta e precipitou a correria atrás de especialistas que possam esclarecer mais sobre os seus efeitos e conseqüências. Palestras em escolas, debates na televisão e matérias jornalísticas são usualmente os recursos mais utilizados para disseminar a consciência preventiva na sociedade. 
 
Durante anos a preocupação maior nesse sentido em nosso Estado era com a “mela”, droga preparada a partir da pasta base de cocaína, com adição de várias substâncias tóxicas, tais como a soda cáustica, barrilha e solução de bateria. Poucos sabem, no entanto, que as duas drogas são co-irmãs, ainda que o crack tenha nascido nos EUA e a mela aqui mesmo na região e que possuem efeitos semelhantes, são altamente indutoras do vício e muito deletérias ao organismo. O princípio ativo de ambas é a cocaína que, por ser volatizada, isto é, transformada em gás pela ação da queima, tem efeitos diversos daqueles do cloridrato, ou “pó”, como é conhecido na linguagem leiga. A forma gasosa favorece a absorção de praticamente cem por cento do que é introduzido no corpo, absorção essa que se dá através das paredes intensamente vascularizadas dos pulmões. A ação no cérebro ocorre em dez ou quinze segundos, atinge o ápice em torno de vinte minutos e entra em declínio logo em seguida, também de forma abrupta. O curto espaço de tempo entre o início e o fim da ação é a grande armadilha pois o cérebro “não tem tempo” para se recompor, o que gera um desequilíbrio na produção de substâncias como a dopamina, neurotransmissor responsável pelas sensações de bem estar. A euforia intensa do início dos efeitos se transforma em disforia intensa, numa proporção inversa, produzindo sensações desagradáveis que os usuários chamam de “fissura”. A fissura é caracterizada por ansiedade exacerbada, impulsos agressivos, mal estar geral que podem incluir sudorese, boca seca, cólicas abdominais, além, é claro, da vontade irresistível de “fumar mais uma”. 
 
Nessa fase o usuário, que rapidamente se transforma em dependente, pode valer-se de qualquer artifício para obter outra pedra, e assim sucessivamente, tendendo a parar apenas quando o corpo já não suporta mais a intoxicação.  O conceito de overdose se aplica plenamente aos efeitos do crack (e também da mela), já que o que determina o momento de parar raramente é a sensação de saciedade, mas o colapso físico e mental, numa reação à superdosagem.  
 
A situação é grave e requer rigor nas medidas de repressão e, sobretudo, nas medidas preventivas, visando conscientizar, inclusive no sentido de que se evitem os exageros e distorções nas informações. O grande alarido inicial, que se explica pelo medo da entrada em cena dessa droga, suscita uma série de informações alarmantes e distoricodas, como a que ouvi esses dias de que “com o crack as crianças estão agredindo suas mães e professoras” e ainda “que várias crianças já morreram intoxicadas”. 
 
O crack é nocivo, mas a disseminação de boatos dessa natureza também produz seus estragos gerando medos e estereótipos que em nada contribuem para a compreensão realística do  fenômeno. 
 
*O autor é psicólogo com especialização em tratamento e prevenção do uso de drogas.  
Contatos: jairqueiroz@ibest.com.br 

Fonte: Jair Queiroz

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