BRIDGERTON | Produção sofre críticas por elencar atores negros para papéis de poder no século XIX

Bridgerton, série produzida pela Shondaland e Netflix, elencou pessoas negras para interpretar papéis de poder na estrutura da série.

Bridgerton, série produzida pela Netflix em parceria com a Shondaland, estreou no último dia 25, e desde então, tem sido tópico recorrente na discussão de diversos assuntos. Um deles é uma cena polêmica no final do episódio 6, cujo conteúdo já retratamos aqui ontem. Outra questão importante levantada pela produção é a diversidade do seu elenco, que já atraiu elogios e críticas para o drama.

A trama principal, baseada no livro “O Duque e Eu“, de Julia Quinn, se passa na Londres do ano 1813. Um cenário dominado pelos restritos padrões da aristocracia britânica. Não é novidade que as séries produzidas pela Shonda Rhymes introduzam atores de diversas origens étnicas; Grey’s Anatomy, How to Get Away with Murder e Scandal sempre foram referências no quesito, e em Bridgerton isso não seria diferente.

Simon Bassett em Bridgerton
Regé-Jean Page interpreta o duque Simon Basset em “Bridgerton”

A escalação de atores como Regé-Jean Page, por exemplo, fez com que alguns espectadores considerassem que a série não seja “historicamente precisa”, já que a alta sociedade aristocrática do Reino Unido era majoritariamente composta de pessoas brancas. Shonda Rhimes chegou a comentar sobre a mudança de etnia dos personagens. A showrunner explicitou que o objetivo era tornar a série mais representativa, destacando-se de outras produções do gênero, que se tornam reféns de suas épocas.

“Eu costumava ler a série Bridgerton quando era uma novela, e a história era tão memorável graças a seus personagens. De alguma forma a adaptação da Netflix é muito ruim, colocando um personagem negro como duque, nobre e outras coisas é muito estanho e impreciso”, disse o usuário Basementdweller no IMDb.

Outros comentários criticando a escalação da série foram postados na plataforma, alguns deles trazendo visões distorcidas sobre temas como representatividade e racismo.

O que boa parte dessas pessoas não sabem, entretanto, é que para além da representatividade, há certo fundo de realismo histórico nessas decisões. Chris Van Dusen, showrunner da série, comentou que a produção se baseou em algumas evidências que indicam que a Rainha Charlotte na vida real (1744-1818) era de descendência africana.

Lady Danburry em Bridgerton
Adjoa Andoh vive Lady Dunburry em “Bridgertn”, série original Netflix

A atriz Adjoa Andoh, que interpreta Lady Danbury na série, chegou a comentar sobre o assunto: “Não é como se nós não tivéssemos estado por lá; É que não reconheceram a nossa presença. E é isso que a série faz: ela reconhece a nossa presença e a amplifica”. Para ela, a série corrige um apagamento que ocorre há muito tempo nas representações artísticas da época.

Alguns fãs da série também saíram em defesa da produção no twitter. Confira:

Os 10 episódios da 1ª temporada de Bridgerton estão disponíveis na Netflix. A série ainda não foi renovada para uma 2ª temporada, embora fortes rumores indiquem esta aconteça.

Arquiteto e Urbanista aficionado por Cenografia e Cinema. Administrador do Sobre Sagas desde 2013 e apaixonado por adaptações cinematográficas, especialmente de fantasia.

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